segunda-feira, 29 de junho de 2026

PRÓXIMAS DATAS PARA PAGAMENTOS DE MENSALIDADES

Os alunos abaixo têm seu vencimento no próximo sábado, dia 04/07/26.

 

Ana Julia Andrade de Amorim

Ana Julya Silva de Oliveira

Ana Luiza de Figueiredo Sartori

Ana Sophia Sousa Maia

Ana Vitória Rodrigues dos Santos

Augusto Grégori Machado Ferreira dos Santos

Diogo Borlin

Elano Gonçalves Padilha

Enrique Rodrigues Souza

Enzo Rondon

Gabriela Figueiredo Santos Lara

Giovanna Armôa Pimenta

Heitor Matheus Sales Fonseca

Hellen Crystina Ferraz da Silva

Igor Cézar de Azevedo

Isadora Moura de Paula

Izabella Yara de Pinho Barbosa

João Marcos Boaventura da Silva 

João Paulo Bastos Facincane

João Victor Santos Eregipe

Jorge Miguel de Almeida Oliveira

Juliano Junior Dávalos de Arruda

Junara Neis Santos Morais

Kennedy Willian Moraes dos Santos

Kleber Costa da Silva Junior

Livia Bernini

Lucas Dorileo França

Maísa de Moura Barros

Marcos Henrique da Silva Campos

Maria Clara Soares Leite

Maria Eduarda Moreira Viera

Marilia Miranda Reis  

Nathália Lima Coli Cardoso

Nicholas Dorado da Silva

Nicolas Santana Correia

Nicollas Barros Ribeiro

Nicolli Sophia de Araújo Magalhães

Paola Brandini Spolador

Rafael Clyson Herculano Alcantara

Samuel Andrade Beser

Sara Andrade Beser

Sophia Armôa Pimenta

Sophia Azevedo de Almeida e Silva

Sophya Boanerges de Oliveira

Wevillyn Vitoria Oloemer da Silva


Yasmin Vitória da Silva Oliveira

 

SEGUNDO APROVADO/A 2026

 


TAREFA DE MATEMÁTICA PARA 04/07/26 – VALE 5,0%

Primeiramente, quero que leiam as REGRAS DE TAREFA:

(http://cursopreparatorioparacefetmt.blogspot.com/2022/01/regras-de-tarefa-do-curso-para-novos.html) para realizarem-na de forma correta e não deixar que sejam desclassificadas.

 

01) Calcule em R o número abaixo:

 

4x – 7  8x – 2

 

a) S = { x N │x > - 10 }

b) S = { x R │x > - 5/4 }

c) S = { x R │x < - 10 }

d) S = { x N │x < 2 }

e) nra

 

02) Calcule em N o número abaixo:

 

5a + 6a – 16 ≤ 3a + 2a - 4

 

a) S = { a N │a 2 }

b) S = { a N │a 2 }

c) S = { a R │a -2 }

d) S = { a N │a < 2 }

e) nra

 

03) Calcule em Q o número abaixo:

 

3(a – 1) – 7 < 15 

 

a) S = { a Q │a > 25/3 }

b) S = { a Q │a < 8 }

c) S = { a Q │a > 8 }

d) S = { a Q │a < 25/3 }

e) nra

 

04) Calcule em N o número abaixo:

 

3(x - 1) – (x – 3) + 5 (x – 2) ≤ 18 

 

a) S = { x N │x 8 }

b) S = { x N │x 8 }

c) S = { x R │x 4 }

d) S = { x N │x 4 }

e) nra

TAREFA DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA 04/07/26 – VALE 5,0%

Primeiramente, quero que leiam as REGRAS DE TAREFA:

(http://cursopreparatorioparacefetmt.blogspot.com/2022/01/regras-de-tarefa-do-curso-para-novos.html) para realizarem-na de forma correta e não deixar que sejam desclassificadas.

 

MOÇA DEITADA NA GRAMA

Carlos Drummond de Andrade

 

A moça estava deitada na grama.

Eu vi e achei lindo. Fiquei repetindo para meu deleite pessoal: “Moça deitada na grama. Deitada na grama. Na grama”. Pois o espetáculo me embevecia. Não é qualquer coisa que me embevece, a esta altura da vida. A moça, o estar deitada na grama, àquela hora da tarde, enquanto os carros passavam e cada ocupante ia ao seu compromisso, à sua alegria ou à sua amargura, a moça e sua posição me embeveceram.

Não tinha nada de exibicionista, era a própria descontração, o encontro do corpo com a tranquilidade, fruída em estado de pureza. Quem quisesse reparar, reparasse; não estava ligando nem desafiando costumes nem nada. Simplesmente deitada na grama, olhos cerrados, mãos na testa, vestido azul, sapatos brancos, pulseira, dois anéis, elegante, composta. De pernas, mostrava o normal. Não era imagem erótica.

Dormia? Não. Pequenos movimentos indicavam que permanecia consciente, mas eram tão pequenos que se percebia seu bem-estar inalterável, sua intenção de continuar assim à sombra dos edifícios, no gramado.

Resolvi parar um pouco, encantado. Queria ver ainda por algum tempo a escultura da moça, plantada no parque como estátua de Henry Moore, uma estátua sem obrigação de ser imóvel. E que arfava docemente. Ah, o arfar da moça, que lhe erguia com leveza o busto, lembrando o sangue de circular nas artérias silenciosas, tão vivo; e tão calmo, como se também ele quisesse descansar na grama, curtir para sempre aquele instante de felicidade.

Eis se aproxima um guarda, inclina-se, toca no ombro da moça. De leve. Ela abre os olhos, sorri bem-disposta:

– Quer deitar também? Aproveita a tarde, tão gostosa.
Ele se mostra embaraçado, fala aos pedaços:

– Não, moça… me desculpe. É o seguinte. A senhora… quer fazer o favor de levantar?

– Levantar por quê? Está tão bom aqui.

– A senhora não pode ficar aí assim não. Levante, estou lhe pedindo.

– Por que hei de levantar? Minha posição é cômoda, eu estou bem aqui. Olhe ali adiante aquele homem, ele também está deitado na grama.

– Aquele homem é diferente, a senhora não percebe?

– Percebo que é homem, e daí? Homem pode, mulher não?

– Bom, poder ninguém pode, é proibido, mas sendo homem, além disso mindingo…

– Ah, compreendo agora. Sendo homem e mindingo, tem direito a deitar no gramado, mas sendo mulher, tendo profissão liberal, pagando imposto de renda, predial, lixo, sindicato, etc., nada feito. É isso que o senhor quer dizer?

– Deus me livre, moça. Quem sou eu para dizer uma coisa dessas? Só que é a primeira vez, e eu tenho dez anos de serviço, que vejo uma dona como a senhora, bem-vestida, bem-apessoada, assim espichada na grama. Com a devida licença, achei que não ficava bem imitar os homens, os mindingos, que a gente tem pena e deixa por aí…

– Faça de conta que eu também sou mindinga – e a moça abriu para ele um sorriso especial.

– Para o bem da senhora, não convém se arriscar desse jeito.

– Eu acho que não estou me arriscando nada, pois tem o senhor aí me garantindo.

– Obrigado. Eu garanto até certo ponto, mas basta a gente virar as costas, vem aí um elemento e furta o seu reloginho, a sua bolsa, as suas coisas.

– Sei me defender, meu santo. Tenho o meu cursinho de caratê.

– Tá certo, mas não deve de facilitar. A senhora se levante, em nome da lei.

– Espere aí. Ou todos se levantam ou eu continuo deitada em nome da lei da igualdade.

– Essa lei eu não conheço, dona. Não posso conhecer todas as leis. Essa que a senhora fala, eu acho que não pegou.

– Mas deve pegar. É preciso que pegue, mais cedo ou mais tarde.

– Não vai levantar?

– Não.

Ele coçou a cabeça. Agarrar a moça era violência, ela ia reagir, juntava povo, criava caso. Afinal, não estava fazendo nada de imoral nem subversivo. Por outro lado, não pegava bem moça deitada na grama – ele devia ter na mente a idéia de moça vestida de gaze, aérea, meio arcanjo, nunca deitável no chão de grama, como qualquer vagabundo fedorento.

– A senhora não devia me fazer uma coisa dessas.

– Fazer o quê?

– Me expor nesta situação.

– Eu não fiz nada, estava numa boa oriental, o senhor chega e…

– É muito difícil lidar com mulheres, elas têm resposta para tudo.

– Vamos fazer uma coisa. O senhor faz que não me viu, vai andando, eu saio daqui a pouco. Só mais dez minutos, para não parecer que estou cedendo a um ato de força.

– Pode ficar o tempo que quiser – decidiu ele. – A senhora falou numa tal lei da igualdade, então vamos cumprir. Só que aquele malandro ali adiante tem de se mandar urgente, eu vou lá dar um susto nele, já gozou demais da lei da igualdade, agora chega!

 


01) A frase “Não é qualquer coisa que me embevece a essa altura da vida” mostra que:

a) O cronista já não era jovem

b) O cronista não tinha medo da morte

c) O cronista teme a morte como qualquer outro ser humano

d) O cronista compadece da situação da moça

e) nra

 

02) Sobre o texto é correto afirmar que:

a) A moça deitada na grama compõem uma cena que transmitia tranquilidade, calma e descontração

b) A chegada de um guarda não perturbou a tranquilidade da Moça

c) O convite que a moça faz ao Guarda para aproveitar a tarde gostosa, a fala dela e sua capacidade de argumentar, deixa o mais seguro de si

d) O sinal de pontuação que revela na resposta do guarda que ele ficou encabulado, é o ponto de exclamação

e) A moça em momento algum se acha no direito de desobedecer ao guarda

 

03) Sobre o texto é incorreto afirmar que

a) Ao dizer que o outro além de ser homem era mendigo, o guarda contra-argumenta a moça

b) Ao comparar a atitude da moça quando mendigo, o guarda leva em conta a diferença de sexo e a situação social de cada um

c) Ao dizer “A senhora se levante em nome da lei.” o contra-argumento utilizado pela moça é, “ou todos se levantam ou eu continuo deitada em nome da lei da igualdade”

d) A moça quis sair um pouco depois do guarda para não parecer que está cedendo a um ato de força

e) nra

 

04) Em qual das alternativas abaixo, o termo “moça” aparece como núcleo do sujeito?

a) ...a moça e sua posição me embeveceram.

b) – Deus me livre, moça.

c) ...e a moça abriu para ele um sorriso especial.

d) Agarrar a moça era violência, ...

e) Por outro lado, não pegava bem moça deitada na grama – ...

 

05) Leia as orações abaixo e assinale a alternativa que identifica corretamente os sujeitos:

I. Meias e sapatos estão em promoção naquela loja.

II. Garoou muito em São Paulo nos últimos dias.

III. Aluga-se esta casa.

a) sujeito composto; sujeito inexistente; sujeito indeterminado

b) sujeito simples; sujeito composto; sujeito oculto

c) sujeito composto; sujeito simples; sujeito indeterminado

d) sujeito indeterminado; sujeito oculto; sujeito simples

e) sujeito oculto; sujeito composto; sujeito simples

 


💗💗💗

 




sábado, 27 de junho de 2026

terça-feira, 23 de junho de 2026

PRIMEIRO APROVADO 2026

Hoje recebi, através da mãe de meu querido ex-eterno aluno Enzo Ferreira Costa Leite, a grata notícia de que o mesmo acabou de ser aprovado em Química no IFMT (Bela Vista).

Fico muito feliz e orgulhoso de ver um aluno, tão atencioso e amável, ser aprovado!

Parabéns meu querido...e parabéns aos responsáveis! 



segunda-feira, 22 de junho de 2026

PRÓXIMAS DATAS PARA PAGAMENTOS DE MENSALIDADES

Os alunos abaixo têm seu vencimento no próximo sábado, dia 27/06/26.

 

Bruna Vitória Xavier Moura

Daniel Lopes Marques de Souza

João Salomé Moreschi Silva

Letícia Cavalcante de Abreu

Nathalia Fonseca Santos *   

Rafael Henrique Ribeiro de Jesus

Reinaldo Ferreira de Souza Neto

Yasmim Miranda Jasper de Campos

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TAREFA DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA 27/06/26 – VALE 5,0%

Primeiramente, quero que leiam as REGRAS DE TAREFA:

(http://cursopreparatorioparacefetmt.blogspot.com/2022/01/regras-de-tarefa-do-curso-para-novos.html) para realizarem-na de forma correta e não deixar que sejam desclassificadas.

 

Texto 01

 

O INCÊNDIO DE CADA UM

Affonso Romano de Sant'Anna

 

A cena foi simples. Ia eu passando de carro pela Lagoa quando vi na calçada uma moça esperando o ônibus com seu jeans e bolsa a tiracolo. Nada demais numa moça esperando o ônibus. Mas eis que passou um caminhão de som tocando uma lambada. Aí aconteceu. Aconteceu uma coisa quase imperceptível, mas aconteceu: os quadris da moça começaram a se mexer num ritmo aliciante. Já não era a mesma criatura antes estática, solitária, esperando o ônibus na calçada. Ela havia se coberto de graça, algo nela se incendiara.

A fotógrafa veio fazer umas fotos. Estava com o pescoço envolto num pano, pois tinha torcicolo. E eu ali posando meio frio, fingindo naturalidade, e ela cautelosa com seu pescoço meio duro, tirando uma foto aqui, outra ali, quase burocraticamente. De repente, ela descobriu um ângulo, e pronto: se incendiou profissionalmente, jogou-se no chão, clic daqui, clic dali, vira para cá, vira para lá, este ângulo, aquele, enfim, desabrochou, o pescoço já não doía. Ela havia detonado em si o que mais profundamente ela era.

Estamos numa festa. Aquele bate-papo no meio daquelas comidinhas e bebidinhas. Mas de repente alguém insiste para que outro toque violão. Aparentemente a contragosto ele pega o instrumento. E começa a dedilhar. Pronto, virou outra pessoa. Manifestou-se. Elevou-se acima dos demais, está além da banalidade de cada um. Achou o seu lugar em si mesmo.

Assim também ocorre quando vemos no palco o cantor dar seus agudos invejáveis, o bailarino dar seus saltos ou o atleta no campo disparar seus músculos e fazer aquilo que só ele pode fazer melhor que todos nós. Isto é o que ocorre quando o instrumentista pega o sax e sexualiza todo o ambiente com seu som cavernoso e erótico. Isto é o que se dá até quando um conferencista ou um professor entreabre o seu discurso e põe-se como uma sereia a seduzir a plateia, como um maestro seduz todo o teatro.

Há um momento de sedução típico de cada um. Quando o indivíduo está assentado no que lhe é mais próprio e natural. E isto encanta.

Claro, esses são exemplos até esperados. Mas há outros modos de o corpo de uma pessoa embandeirar-se como se tivesse achado o seu jeito único e melhor de ser. Digo, o corpo e a alma.

Mas nem todos podemos ser tão espetaculares. Nem por isso o pequeno acontecimento é menos comovente.

De que estou falando? De algo simples e igualmente comovente. Por exemplo: o jardineiro que ao ser jardineiro é jardineiro como só o jardineiro sabe e pode ser.

E que ao falar das flores, ao exibi-las cercadas de palavras, percebe-se, ele está em transe. Igualmente o especialista em vinhos, que ao explicar os diversos sabores nos quatro cantos da boca faz seus olhos verterem prazer e embalam a quem o ouve com sua dionisíaca sabedoria.

Feita com amor, até uma coleção de selos se magnifica. Se torna mais imponente que uma pirâmide se a pirâmide for descrita ou feita por quem não a ama. É assim que pode entrar pela sala alguém e servir um cafezinho, mas sendo aquele o cafezinho onde ela põe sua alma, ela se torna de uma luminosidade invejável.

Cada um tem um momento, um gesto, um ato em que se individualiza e brilha. Nisto nos parecemos com os animais e peixes ou quem sabe com as nuvens. Animais e peixes têm isto: têm trejeitos raros e sedutores, cada um segundo sua espécie. Até as nuvens, como eu dizia, tem seu momento de glória.

Uma vez vi um pintor em plena ação, pintando. Meu Deus! O homem era um incêndio só, uma alucinação. Sua face vibrava, havia uma febre nos seus gestos. Era uma erupção cromática, um assomo de formas e volumes.

Então é disso que estou falando. Dessa coisa simples e única, quando o que cada um tem de mais seu relampeja a olhos vistos. Quando isto se dá, quebra-se a monotonia e o indivíduo se transcendentaliza.

Pode parecer absurdo, mas já vi uma secretária transcendentalizar-se ao disparar seus dedos no teclado da máquina de escrever. Era uma virtuose como só o melhor violinista ou pianista sabem ser. E as pessoas achavam isto mais sensacional que se ela estivesse engolindo fogo na esquina.

Isto é o que importa: o incêndio de cada um. Cada qual deve ter um jeito de deflagrar sua luz aprisionada. As flores fazem isto sem esforço. Igualmente os pássaros. Todos têm seu momento de revelação. É aguardar, que o outro alguma hora vai se manifestar.

 


(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Porta de colégio e outras crônicas.3.

ed. São Paulo, Áttica, 1997. p. 86-9, “Para Gostar de Ler 16”)

 

01) No sexto parágrafo do texto, o autor afirma: “Claro que são exemplos até esperados”. Dentre os exemplos, citados nos parágrafos anteriores, NÃO podemos citar:

a) o da moça que esperava o ônibus;

b) o da fotógrafa, do maestro e do bailarino

c) o do violinista e do atleta, do conferencista

d) o do cantor e do saxofonista

e) todos acima

 

02) O que o cronista deseja demonstrar com exemplos citados na alternativa anterior?

a) deseja provar que, num determinado momento cada pessoa revela o que tem de melhor em si, encontra “seu jeito único e melhor de ser.”;

b) deseja demonstrar que as diferenças realmente existem, mas não são preponderantes nas relações;

c) deseja demonstrar que, aqueles que estudam chegam ao seu objetivo mais rapidamente, em detrimento aos que não possuem conhecimento.

d) deseja, de certa forma, demonstrar o valor interior das pessoas que trabalham com pessoas.

e) deseja demonstrar que a vitória pertence a todos aqueles que buscam superar seus limites.

 

03) Sobre o texto podemos afirmar que:

a) O autor considera os exemplos da questão 01 inesperados;

b) A comparação, um dos recursos que empregamos frequentemente, com a finalidade de ressaltar nossas ideias, é vista pelo autor através da relação feita entre o ser humano e animais, peixes, nuvens, mares e pássaros

c) A cena que se narra no segundo parágrafo faz supor que o cronista seja alguém comum, sem fama;

d) O fato de a fotógrafa ter ido até a casa do cronista para fotografá-lo provavelmente para alguma reportagem de Jornal ou revista, revela sua identidade.

e) Para escrever sua crônica o autor partiu de fatos excepcionais.

 

Texto 02

 

O BOI DE GUIA

Cora Coralina

 

O menino tinha nascido e se criado em Ituverava, da banda de Minas. O pai era um carreiro de confiança, muito procurado para serviços e colheitas. Tinha seu carro antigo, de boa mesa rejuntada, fueirama firme, esteirado de couro cru, roda maciça de cabiúna ferrada, bem provido o berrante de azeite e com seu eixo de cocão cantador que a gente ouvia com distância de légua. Desses que antigamente alegravam o sertão e que os moradores, ouvindo o rechinado, davam logo a pinta do carreiro.

        O pai tinha o carro e tinha as juntas redobradas em parelhas certas, caprichadas, bois arados, retacos, manteúdos, de grandes aspas e pelagem limpa. Era só que possuía. O canto empastado onde morava, família grande, meninada se formando e sua ferramenta de trabalho – os bois de carro.

        Trabalhava para os fazendeiros de roda, principalmente na colheita de café e mantimentos, meses a fio, enchendo tulhas e paióis vazios. Quando acabava o café, era a cana, do canavial para os engenhos, onde as tachas ferviam noite e dia e purgavam as grandes formas de açúcar, cobertas de barro.

        O candeeiro era ele, pirralho franzino, esmirrado, de cinco anos.

        Os pais antigos eram duros e criavam os filhos na lei da disciplina. Na roça, criança não tinha infância. Firmava-se nas pernas, entendia algum mandado, já tinha servicinho esperando.

        Aos quatro anos montava em pelo, cabresteava potranquinha, trazia bezerro do pasto, levava leite na cidade e entregava na freguesia.

        Era botado em riba do selote, não alcançava estribo. Se descesse, não subia mais. Punha o litro nas janelas.

        O cavalo em que montava era velho, arrasado manso e sabido. Subia nas calçadas, encostava nos alpendres, conhecia as ruas, desviava-se das buzinas e parava certo nos fregueses.

         Quando de volta, recolhendo a garrafa vazia, gritava desesperadamente:

        - Garrafa do leite...garrafa vaziiia! ...

        Um da casa, atordoado com a gritaria, se apressava logo a entregar o litro requerido.

        Ajudava o pai. Desde que nasceu, contava ele. Nunca se lembra de ter vadiado como os meninos de agora. Quando começou a entender o pai, a mãe, os irmãos, o cachorro e o mundo do terreiro, já foi fazendo servicinho. Catava lenha fina, garrancheira para o fogão, caçava pela saroba os ninhos das botadeiras, ia atrás dos peruzinhos e já quebrava xerém às chocas de pinto. Do pasto trazia os bois de serviço. Seu gosto era vir pendurado no chifre do guia barroso – tão grande, tão forte, tão manso – sempre remoendo seus bolos de capim, nem percebia, também não se importava, não dava mostras.

        Acostumou-se com os bois e os bois com ele. Sabia o nome de todos e os particulares de cada um. Chamava pra mangueira. O pai erguia os braços possantes e passava as grande cangas lustrosas; encorreiava os canzis debaixo das barbelas, enganchava o cambão, encostava o coice, prendia a cambota. Passava mão na vara, chamava. As argolinhas retiniam e o carro com sua boiada arrancavam o caminho das roças.

        Com cinco anos, era mestre-de-guia, com sua varinha argolada.

        Às vezes, o serviço era dentro de roças novas, de primeira derrubada, cheia e tocos, tranqueirada de paulama, mal-encoivaradas, ainda mais com seus muitos buracos de tatu.

        O carreador, mal-amanhado, só dava o tantinho das rodas. Os bois que aguentassem o repuxado, e o menino, esse, ninguém reparava nele. Aí era que o carro vinha de caculo. A colheita no meio da roça. Chuvas se encordoando de norte a sul ameaçando o ar do tempo mudado e o fazendeiro arrochando pressa.

        A boiada tinha de romper a pulso. O aguilheiro na frente, pequeno, descalço, seu chapeuzinho de palha, seu porte franzino, dando o que tinha.

        Sentia nas costas o bafo quente do guia. Sentia no pano da camisa a baba grossa do boi. O pai atrás, gritando os nomes, sacudindo o ferrão. A boiada, briosa e traquejada, não queria ferrão no couro, a criança atrapalhava. Aí, o guia barroso dava um meneio de cabeça, baixava a aspa possante e passava a criança pra um lado.

        O menino tornava à frente. Outra vez a baba do boi na camisa, o grito do carreiro afobado, o tinido das argolinhas e a grande aspa passando a criança pra um lado.

        O pai gritou frenisado:

        - Quem já viu aguiero chamá boi de banda...Passa pra frente porquera...

        - Nhô pai, é o boi que me arreda...

        - Passa pra frente, covarde. Deixa de invenção, inzoneiro...

        O menino enfrentou de novo. O homem sacudiu a vara e pondo reparo. A argola retiniu, as juntas arrancaram. O barroso alcançou a criança. Ia pisar, ia esmagar com sua pata enorme e pesada.

        Não pisou, não esmagou. Virou o guampaço num jeito e passou a criança pra um lado sem magoar. Aí o velho carreiro viu...viu o boi pela primeira vez...

        Sentiu uma gastura e pela primeira vez uma coisa nova inchando seu coração no peito e a limpou uma turvação da vista na manga da camisa.

 


Cora Coralina. Estórias da casa velha da ponte. 2. ed. São Paulo: Global, 1988.

  

04) Em relação ao texto, é incorreto afirmar que:

a) O narrador utiliza os primeiros parágrafos do texto quase exclusivamente para descrever o carro de bois.

b) O carro de bois é muito importante para história pois se trata da ferramenta de trabalho do pai do menino.

c) No segundo parágrafo, descrevem-se os bois que conduzem o carro.

d) O menino precisava ser colocado em cima da sela do cavalo, porque não conseguia montar sozinho.

e) nra

 

05) Quando se cavalga, o cavaleiro é o condutor. Essa afirmativa...

a) é válida e justificada pelo texto;

b) é válida, apesar de não ser justificada pelo texto;

c) não é validada pelo texto, pois se trata de carros de bois;

d) não é validada pelo texto pois na narrativa o menino era o condutor, mesmo que pequeno de um carro de bois;

e) não é validada pelo texto pois nesse caso o verdadeiro condutor é o cavalo, que conhece o trajeto, para sobre as calçadas, desvia de buzinas e sabe onde ficam as casas dos fregueses.

 

06) “Na roça então criança não tinha infância”. Sobre este trecho do texto pode-se afirmar que:

a) As crianças na roça, crescem muito rápido, não aproveitando sua infância;

b) Crianças na roça adquirem maturidade muito rapidamente, devido aos seus estudos;

c) Morar com os pais, muitas vezes, nos fazem não aproveitar a infância;

d) Na roça, devido ao excesso de pessoas adultas, quase não se vê infantis;

e) As crianças tinham pouca Liberdade obedeciam cegamente os pais e tinham de ajudar no trabalho.