sábado, 4 de julho de 2026
segunda-feira, 29 de junho de 2026
PRÓXIMAS DATAS PARA PAGAMENTOS DE MENSALIDADES
Os alunos abaixo têm seu vencimento no próximo sábado, dia 04/07/26.
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Ana Julia Andrade de Amorim |
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Ana Julya Silva de Oliveira |
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Ana Luiza de Figueiredo Sartori |
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Ana Sophia Sousa Maia |
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Ana Vitória Rodrigues dos Santos |
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Augusto Grégori Machado Ferreira dos Santos |
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Diogo Borlin |
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Elano Gonçalves Padilha |
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Enrique Rodrigues Souza |
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Enzo Rondon |
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Gabriela Figueiredo Santos Lara |
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Giovanna Armôa Pimenta |
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Heitor Matheus Sales Fonseca |
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Hellen Crystina Ferraz da Silva |
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Igor Cézar de Azevedo |
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Isadora Moura de Paula |
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Izabella Yara de Pinho Barbosa |
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João Marcos Boaventura da Silva |
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João Paulo Bastos Facincane |
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João Victor Santos Eregipe |
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Jorge Miguel de Almeida Oliveira |
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Juliano Junior Dávalos de Arruda |
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Junara Neis Santos Morais |
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Kennedy Willian Moraes dos Santos |
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Kleber Costa da Silva Junior |
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Livia Bernini |
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Lucas Dorileo França |
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Maísa de Moura Barros |
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Marcos Henrique da Silva Campos |
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Maria Clara Soares Leite |
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Maria Eduarda Moreira Viera |
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Marilia Miranda Reis |
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Nathália Lima Coli Cardoso |
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Nicolas Santana Correia |
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Nicollas Barros Ribeiro |
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Nicolli Sophia de Araújo Magalhães |
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Paola Brandini Spolador |
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Rafael Clyson Herculano Alcantara |
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Samuel Andrade Beser |
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Sara Andrade Beser |
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Sophia Armôa Pimenta |
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Sophia Azevedo de Almeida e Silva |
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Sophya Boanerges de Oliveira |
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Wevillyn Vitoria Oloemer da Silva |
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Yasmin Vitória da Silva Oliveira |
TAREFA DE MATEMÁTICA PARA 04/07/26 – VALE 5,0%
Primeiramente, quero que leiam as REGRAS DE TAREFA:
(http://cursopreparatorioparacefetmt.blogspot.com/2022/01/regras-de-tarefa-do-curso-para-novos.html)
para realizarem-na de forma correta e não deixar que sejam desclassificadas.
01)
Calcule em R o número abaixo:
4x – 7
a) S = { x ∈ N │x >
- 10 }
b) S = { x ∈ R │x >
- 5/4 }
c) S = { x ∈ R │x < - 10 }
d) S = { x ∈ N │x < 2 }
e) nra
02)
Calcule em N o número abaixo:
5a + 6a – 16 ≤ 3a + 2a - 4
a) S = { a ∈ N │a ≥ 2 }
b) S = { a ∈ N │a ≤ 2 }
c) S = { a ∈ R │a ≥ -2 }
d) S = { a ∈ N │a < 2 }
e) nra
03)
Calcule em Q o número abaixo:
3(a – 1) – 7 <
15
a) S = { a ∈ Q │a >
25/3 }
b) S = { a ∈ Q │a < 8 }
c) S = { a ∈ Q │a >
8 }
d) S = { a ∈ Q │a < 25/3 }
e) nra
04)
Calcule em N o número abaixo:
3(x - 1) – (x – 3) + 5 (x – 2) ≤ 18
a) S = { x ∈ N │x ≥ 8 }
b) S = { x ∈ N │x ≤ 8 }
c) S = { x ∈ R │x ≥ 4 }
d) S = { x ∈ N │x ≤ 4 }
e) nra
TAREFA DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA 04/07/26 – VALE 5,0%
Primeiramente, quero que leiam as REGRAS DE TAREFA:
(http://cursopreparatorioparacefetmt.blogspot.com/2022/01/regras-de-tarefa-do-curso-para-novos.html)
para realizarem-na de forma correta e não deixar que sejam desclassificadas.
MOÇA DEITADA NA GRAMA
Carlos Drummond de Andrade
A moça estava deitada na grama.
Eu vi e achei lindo. Fiquei repetindo para meu deleite
pessoal: “Moça deitada na grama. Deitada na grama. Na grama”. Pois o espetáculo
me embevecia. Não é qualquer coisa que me embevece, a esta altura da vida. A
moça, o estar deitada na grama, àquela hora da tarde, enquanto os carros
passavam e cada ocupante ia ao seu compromisso, à sua alegria ou à sua
amargura, a moça e sua posição me embeveceram.
Não tinha nada de exibicionista, era a própria
descontração, o encontro do corpo com a tranquilidade, fruída em estado de
pureza. Quem quisesse reparar, reparasse; não estava ligando nem desafiando
costumes nem nada. Simplesmente deitada na grama, olhos cerrados, mãos na
testa, vestido azul, sapatos brancos, pulseira, dois anéis, elegante, composta.
De pernas, mostrava o normal. Não era imagem erótica.
Dormia?
Não. Pequenos movimentos indicavam que permanecia consciente, mas eram tão
pequenos que se percebia seu bem-estar inalterável, sua intenção de continuar
assim à sombra dos edifícios, no gramado.
Resolvi parar um pouco, encantado. Queria ver ainda por
algum tempo a escultura da moça, plantada no parque como estátua de Henry
Moore, uma estátua sem obrigação de ser imóvel. E que arfava docemente. Ah, o
arfar da moça, que lhe erguia com leveza o busto, lembrando o sangue de
circular nas artérias silenciosas, tão vivo; e tão calmo, como se também ele
quisesse descansar na grama, curtir para sempre aquele instante de felicidade.
Eis se aproxima um guarda, inclina-se, toca no ombro da
moça. De leve. Ela abre os olhos, sorri bem-disposta:
– Quer deitar também? Aproveita a tarde, tão gostosa.
Ele se mostra embaraçado, fala aos pedaços:
– Não, moça… me desculpe. É o seguinte. A senhora… quer
fazer o favor de levantar?
– Levantar por quê? Está tão bom aqui.
– A senhora não pode ficar aí assim não. Levante, estou
lhe pedindo.
– Por que hei de levantar? Minha posição é cômoda, eu
estou bem aqui. Olhe ali adiante aquele homem, ele também está deitado na
grama.
– Aquele homem é diferente, a senhora não percebe?
– Percebo que é homem, e daí? Homem pode, mulher não?
– Bom, poder ninguém pode, é proibido, mas sendo homem,
além disso mindingo…
– Ah, compreendo agora. Sendo homem e mindingo, tem
direito a deitar no gramado, mas sendo mulher, tendo profissão liberal, pagando
imposto de renda, predial, lixo, sindicato, etc., nada feito. É isso que o
senhor quer dizer?
– Deus me livre, moça. Quem sou eu para dizer uma coisa
dessas? Só que é a primeira vez, e eu tenho dez anos de serviço, que vejo uma
dona como a senhora, bem-vestida, bem-apessoada, assim espichada na grama. Com
a devida licença, achei que não ficava bem imitar os homens, os mindingos, que
a gente tem pena e deixa por aí…
– Faça de conta que eu também sou mindinga – e
a moça abriu para ele um sorriso especial.
– Para o bem da senhora, não convém se arriscar desse
jeito.
– Eu acho que não estou me arriscando nada, pois tem o
senhor aí me garantindo.
– Obrigado. Eu garanto até certo ponto, mas basta a gente
virar as costas, vem aí um elemento e furta o seu reloginho, a sua bolsa, as
suas coisas.
– Sei me defender, meu santo. Tenho o meu cursinho de
caratê.
– Tá certo, mas não deve de facilitar. A senhora se
levante, em nome da lei.
– Espere aí. Ou todos se levantam ou eu continuo deitada
em nome da lei da igualdade.
– Essa lei eu não conheço, dona. Não posso conhecer todas
as leis. Essa que a senhora fala, eu acho que não pegou.
– Mas deve pegar. É preciso que pegue, mais cedo ou mais
tarde.
– Não vai levantar?
– Não.
Ele coçou a cabeça. Agarrar a moça era violência, ela ia
reagir, juntava povo, criava caso. Afinal, não estava fazendo nada de imoral
nem subversivo. Por outro lado, não pegava bem moça deitada na grama – ele
devia ter na mente a idéia de moça vestida de gaze, aérea, meio arcanjo, nunca
deitável no chão de grama, como qualquer vagabundo fedorento.
– A senhora não devia me fazer uma coisa dessas.
– Fazer o quê?
– Me expor nesta situação.
– Eu não fiz nada, estava numa boa oriental, o
senhor chega e…
– É muito difícil lidar com mulheres, elas têm resposta
para tudo.
– Vamos fazer uma coisa. O senhor faz que não me viu, vai
andando, eu saio daqui a pouco. Só mais dez minutos, para não parecer que estou
cedendo a um ato de força.
– Pode ficar o tempo que quiser – decidiu ele. – A
senhora falou numa tal lei da igualdade, então vamos cumprir. Só que aquele
malandro ali adiante tem de se mandar urgente, eu vou lá dar um susto nele, já
gozou demais da lei da igualdade, agora chega!
01)
A frase “Não é qualquer coisa que me embevece a essa altura da vida” mostra
que:
a) O
cronista já não era jovem
b) O
cronista não tinha medo da morte
c) O
cronista teme a morte como qualquer outro ser humano
d) O
cronista compadece da situação da moça
e) nra
02)
Sobre o texto é correto afirmar que:
a) A moça
deitada na grama compõem uma cena que transmitia tranquilidade, calma e
descontração
b) A
chegada de um guarda não perturbou a tranquilidade da Moça
c) O
convite que a moça faz ao Guarda para aproveitar a tarde gostosa, a fala dela e
sua capacidade de argumentar, deixa o mais seguro de si
d) O
sinal de pontuação que revela na resposta do guarda que ele ficou encabulado, é
o ponto de exclamação
e) A moça
em momento algum se acha no direito de desobedecer ao guarda
03)
Sobre o texto é incorreto afirmar que
a) Ao
dizer que o outro além de ser homem era mendigo, o guarda contra-argumenta a
moça
b) Ao
comparar a atitude da moça quando mendigo, o guarda leva em conta a diferença
de sexo e a situação social de cada um
c) Ao
dizer “A senhora se levante em nome da lei.” o contra-argumento utilizado pela
moça é, “ou todos se levantam ou eu continuo deitada em nome da lei da
igualdade”
d) A moça
quis sair um pouco depois do guarda para não parecer que está cedendo a um ato
de força
e) nra
04)
Em qual das alternativas abaixo, o termo “moça” aparece como núcleo do sujeito?
a)
...a moça e sua posição me embeveceram.
b) – Deus
me livre, moça.
c) ...e
a moça abriu para ele um sorriso especial.
d)
Agarrar a moça era violência, ...
e) Por
outro lado, não pegava bem moça deitada na grama – ...
05)
Leia as orações abaixo e assinale a alternativa que identifica corretamente os
sujeitos:
I. Meias e sapatos
estão em promoção naquela loja.
II. Garoou muito em
São Paulo nos últimos dias.
III. Aluga-se esta
casa.
a)
sujeito composto; sujeito inexistente; sujeito indeterminado
b)
sujeito simples; sujeito composto; sujeito oculto
c)
sujeito composto; sujeito simples; sujeito indeterminado
d)
sujeito indeterminado; sujeito oculto; sujeito simples
sábado, 27 de junho de 2026
terça-feira, 23 de junho de 2026
PRIMEIRO APROVADO 2026
Hoje recebi, através da mãe de meu querido ex-eterno aluno Enzo Ferreira Costa Leite, a grata notícia de que o mesmo acabou de ser aprovado em Química no IFMT (Bela Vista).
Fico muito feliz e orgulhoso de ver um aluno, tão atencioso e amável, ser aprovado!
Parabéns meu querido...e parabéns aos responsáveis!
segunda-feira, 22 de junho de 2026
PRÓXIMAS DATAS PARA PAGAMENTOS DE MENSALIDADES
Os alunos abaixo têm seu vencimento no próximo sábado, dia 27/06/26.
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Bruna Vitória Xavier Moura |
|
Daniel Lopes Marques de Souza |
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João Salomé Moreschi Silva |
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Letícia Cavalcante de Abreu |
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Nathalia Fonseca Santos * |
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Rafael Henrique Ribeiro de Jesus |
|
Reinaldo Ferreira de Souza Neto |
|
Yasmim Miranda Jasper de Campos |
TAREFA DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA 27/06/26 – VALE 5,0%
Primeiramente, quero que leiam as REGRAS DE TAREFA:
(http://cursopreparatorioparacefetmt.blogspot.com/2022/01/regras-de-tarefa-do-curso-para-novos.html)
para realizarem-na de forma correta e não deixar que sejam desclassificadas.
Texto 01
O INCÊNDIO DE CADA UM
Affonso Romano de Sant'Anna
A cena foi simples. Ia eu passando de carro pela Lagoa
quando vi na calçada uma moça esperando o ônibus com seu jeans e bolsa a
tiracolo. Nada demais numa moça esperando o ônibus. Mas eis que passou um
caminhão de som tocando uma lambada. Aí aconteceu. Aconteceu uma coisa quase
imperceptível, mas aconteceu: os quadris da moça começaram a se mexer num ritmo
aliciante. Já não era a mesma criatura antes estática, solitária, esperando o
ônibus na calçada. Ela havia se coberto de graça, algo nela se incendiara.
A fotógrafa veio fazer umas fotos. Estava com o pescoço
envolto num pano, pois tinha torcicolo. E eu ali posando meio frio, fingindo
naturalidade, e ela cautelosa com seu pescoço meio duro, tirando uma foto aqui,
outra ali, quase burocraticamente. De repente, ela descobriu um ângulo, e
pronto: se incendiou profissionalmente, jogou-se no chão, clic daqui, clic
dali, vira para cá, vira para lá, este ângulo, aquele, enfim, desabrochou, o
pescoço já não doía. Ela havia detonado em si o que mais profundamente ela era.
Estamos numa festa. Aquele bate-papo no meio daquelas
comidinhas e bebidinhas. Mas de repente alguém insiste para que outro toque
violão. Aparentemente a contragosto ele pega o instrumento. E começa a
dedilhar. Pronto, virou outra pessoa. Manifestou-se. Elevou-se acima dos
demais, está além da banalidade de cada um. Achou o seu lugar em si mesmo.
Assim também ocorre quando vemos no palco o cantor dar
seus agudos invejáveis, o bailarino dar seus saltos ou o atleta no campo
disparar seus músculos e fazer aquilo que só ele pode fazer melhor que todos
nós. Isto é o que ocorre quando o instrumentista pega o sax e sexualiza todo o
ambiente com seu som cavernoso e erótico. Isto é o que se dá até quando um
conferencista ou um professor entreabre o seu discurso e põe-se como uma sereia
a seduzir a plateia, como um maestro seduz todo o teatro.
Há um momento de sedução típico de cada um. Quando o
indivíduo está assentado no que lhe é mais próprio e natural. E isto encanta.
Claro, esses são exemplos até esperados. Mas há outros
modos de o corpo de uma pessoa embandeirar-se como se tivesse achado o seu
jeito único e melhor de ser. Digo, o corpo e a alma.
Mas nem todos podemos ser tão espetaculares. Nem por isso
o pequeno acontecimento é menos comovente.
De que estou falando? De algo simples e igualmente
comovente. Por exemplo: o jardineiro que ao ser jardineiro é jardineiro como só
o jardineiro sabe e pode ser.
E que ao
falar das flores, ao exibi-las cercadas de palavras, percebe-se, ele está em
transe. Igualmente o especialista em vinhos, que ao explicar os diversos
sabores nos quatro cantos da boca faz seus olhos verterem prazer e embalam a
quem o ouve com sua dionisíaca sabedoria.
Feita com amor, até uma coleção de selos se magnifica. Se
torna mais imponente que uma pirâmide se a pirâmide for descrita ou feita por
quem não a ama. É assim que pode entrar pela sala alguém e servir um cafezinho,
mas sendo aquele o cafezinho onde ela põe sua alma, ela se torna de uma
luminosidade invejável.
Cada um tem um momento, um gesto, um ato em que se
individualiza e brilha. Nisto nos parecemos com os animais e peixes ou quem
sabe com as nuvens. Animais e peixes têm isto: têm trejeitos raros e sedutores,
cada um segundo sua espécie. Até as nuvens, como eu dizia, tem seu momento de
glória.
Uma vez vi um pintor em plena ação, pintando. Meu Deus! O
homem era um incêndio só, uma alucinação. Sua face vibrava, havia uma febre nos
seus gestos. Era uma erupção cromática, um assomo de formas e volumes.
Então é disso que estou falando. Dessa coisa simples e
única, quando o que cada um tem de mais seu relampeja a olhos vistos. Quando
isto se dá, quebra-se a monotonia e o indivíduo se transcendentaliza.
Pode parecer absurdo, mas já vi uma secretária
transcendentalizar-se ao disparar seus dedos no teclado da máquina de escrever.
Era uma virtuose como só o melhor violinista ou pianista sabem ser. E as
pessoas achavam isto mais sensacional que se ela estivesse engolindo fogo na
esquina.
Isto é o que importa: o incêndio de cada um. Cada qual
deve ter um jeito de deflagrar sua luz aprisionada. As flores fazem isto sem
esforço. Igualmente os pássaros. Todos têm seu momento de revelação. É
aguardar, que o outro alguma hora vai se manifestar.
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Porta de colégio e
outras crônicas.3.
ed. São Paulo, Áttica, 1997. p. 86-9, “Para Gostar de Ler
16”)
01)
No sexto parágrafo do texto, o autor afirma: “Claro que são exemplos até
esperados”. Dentre os exemplos, citados nos parágrafos anteriores, NÃO podemos
citar:
a) o da
moça que esperava o ônibus;
b) o da
fotógrafa, do maestro e do bailarino
c) o do
violinista e do atleta, do conferencista
d) o do
cantor e do saxofonista
e) todos
acima
02)
O que o cronista deseja demonstrar com exemplos citados na alternativa
anterior?
a) deseja
provar que, num determinado momento cada pessoa revela o que tem de melhor em
si, encontra “seu jeito único e melhor de ser.”;
b) deseja
demonstrar que as diferenças realmente existem, mas não são preponderantes nas
relações;
c) deseja
demonstrar que, aqueles que estudam chegam ao seu objetivo mais rapidamente, em
detrimento aos que não possuem conhecimento.
d)
deseja, de certa forma, demonstrar o valor interior das pessoas que trabalham
com pessoas.
e) deseja
demonstrar que a vitória pertence a todos aqueles que buscam superar seus
limites.
03)
Sobre o texto podemos afirmar que:
a) O
autor considera os exemplos da questão 01 inesperados;
b) A
comparação, um dos recursos que empregamos frequentemente, com a finalidade de
ressaltar nossas ideias, é vista pelo autor através da relação feita entre o
ser humano e animais, peixes, nuvens, mares e pássaros
c) A cena
que se narra no segundo parágrafo faz supor que o cronista seja alguém comum,
sem fama;
d) O fato
de a fotógrafa ter ido até a casa do cronista para fotografá-lo provavelmente
para alguma reportagem de Jornal ou revista, revela sua identidade.
e) Para
escrever sua crônica o autor partiu de fatos excepcionais.
Texto 02
O BOI DE GUIA
Cora Coralina
O menino tinha nascido e se criado em Ituverava, da banda
de Minas. O pai era um carreiro de confiança, muito procurado para serviços e
colheitas. Tinha seu carro antigo, de boa mesa rejuntada, fueirama firme,
esteirado de couro cru, roda maciça de cabiúna ferrada, bem provido o berrante
de azeite e com seu eixo de cocão cantador que a gente ouvia com distância de
légua. Desses que antigamente alegravam o sertão e que os moradores, ouvindo o
rechinado, davam logo a pinta do carreiro.
O
pai tinha o carro e tinha as juntas redobradas em parelhas certas, caprichadas,
bois arados, retacos, manteúdos, de grandes aspas e pelagem limpa. Era só que
possuía. O canto empastado onde morava, família grande, meninada se formando e
sua ferramenta de trabalho – os bois de carro.
Trabalhava
para os fazendeiros de roda, principalmente na colheita de café e mantimentos,
meses a fio, enchendo tulhas e paióis vazios. Quando acabava o café, era a
cana, do canavial para os engenhos, onde as tachas ferviam noite e dia e
purgavam as grandes formas de açúcar, cobertas de barro.
O
candeeiro era ele, pirralho franzino, esmirrado, de cinco anos.
Os
pais antigos eram duros e criavam os filhos na lei da disciplina. Na roça,
criança não tinha infância. Firmava-se nas pernas, entendia algum mandado, já
tinha servicinho esperando.
Aos
quatro anos montava em pelo, cabresteava potranquinha, trazia bezerro do pasto,
levava leite na cidade e entregava na freguesia.
Era
botado em riba do selote, não alcançava estribo. Se descesse, não subia mais.
Punha o litro nas janelas.
O
cavalo em que montava era velho, arrasado manso e sabido. Subia nas calçadas,
encostava nos alpendres, conhecia as ruas, desviava-se das buzinas e parava
certo nos fregueses.
Quando
de volta, recolhendo a garrafa vazia, gritava desesperadamente:
-
Garrafa do leite...garrafa vaziiia! ...
Um
da casa, atordoado com a gritaria, se apressava logo a entregar o litro
requerido.
Ajudava
o pai. Desde que nasceu, contava ele. Nunca se lembra de ter vadiado como os
meninos de agora. Quando começou a entender o pai, a mãe, os irmãos, o cachorro
e o mundo do terreiro, já foi fazendo servicinho. Catava lenha fina,
garrancheira para o fogão, caçava pela saroba os ninhos das botadeiras, ia
atrás dos peruzinhos e já quebrava xerém às chocas de pinto. Do pasto trazia os
bois de serviço. Seu gosto era vir pendurado no chifre do guia barroso – tão
grande, tão forte, tão manso – sempre remoendo seus bolos de capim, nem
percebia, também não se importava, não dava mostras.
Acostumou-se
com os bois e os bois com ele. Sabia o nome de todos e os particulares de cada
um. Chamava pra mangueira. O pai erguia os braços possantes e passava as grande
cangas lustrosas; encorreiava os canzis debaixo das barbelas, enganchava o
cambão, encostava o coice, prendia a cambota. Passava mão na vara, chamava. As
argolinhas retiniam e o carro com sua boiada arrancavam o caminho das roças.
Com
cinco anos, era mestre-de-guia, com sua varinha argolada.
Às
vezes, o serviço era dentro de roças novas, de primeira derrubada, cheia e
tocos, tranqueirada de paulama, mal-encoivaradas, ainda mais com seus muitos
buracos de tatu.
O
carreador, mal-amanhado, só dava o tantinho das rodas. Os bois que aguentassem
o repuxado, e o menino, esse, ninguém reparava nele. Aí era que o carro vinha
de caculo. A colheita no meio da roça. Chuvas se encordoando de norte a sul
ameaçando o ar do tempo mudado e o fazendeiro arrochando pressa.
A
boiada tinha de romper a pulso. O aguilheiro na frente, pequeno, descalço, seu
chapeuzinho de palha, seu porte franzino, dando o que tinha.
Sentia
nas costas o bafo quente do guia. Sentia no pano da camisa a baba grossa do
boi. O pai atrás, gritando os nomes, sacudindo o ferrão. A boiada, briosa e
traquejada, não queria ferrão no couro, a criança atrapalhava. Aí, o guia
barroso dava um meneio de cabeça, baixava a aspa possante e passava a criança
pra um lado.
O
menino tornava à frente. Outra vez a baba do boi na camisa, o grito do carreiro
afobado, o tinido das argolinhas e a grande aspa passando a criança pra um
lado.
O
pai gritou frenisado:
-
Quem já viu aguiero chamá boi de banda...Passa pra frente porquera...
-
Nhô pai, é o boi que me arreda...
-
Passa pra frente, covarde. Deixa de invenção, inzoneiro...
O
menino enfrentou de novo. O homem sacudiu a vara e pondo reparo. A argola
retiniu, as juntas arrancaram. O barroso alcançou a criança. Ia pisar, ia
esmagar com sua pata enorme e pesada.
Não
pisou, não esmagou. Virou o guampaço num jeito e passou a criança pra um lado
sem magoar. Aí o velho carreiro viu...viu o boi pela primeira vez...
Sentiu
uma gastura e pela primeira vez uma coisa nova inchando seu coração no peito e
a limpou uma turvação da vista na manga da camisa.
Cora Coralina. Estórias da casa velha da ponte. 2. ed.
São Paulo: Global, 1988.
04)
Em relação ao texto, é incorreto afirmar que:
a) O
narrador utiliza os primeiros parágrafos do texto quase exclusivamente para
descrever o carro de bois.
b) O
carro de bois é muito importante para história pois se trata da ferramenta de
trabalho do pai do menino.
c) No
segundo parágrafo, descrevem-se os bois que conduzem o carro.
d) O
menino precisava ser colocado em cima da sela do cavalo, porque não conseguia
montar sozinho.
e) nra
05) Quando
se cavalga, o cavaleiro é o condutor. Essa afirmativa...
a) é
válida e justificada pelo texto;
b) é
válida, apesar de não ser justificada pelo texto;
c) não é
validada pelo texto, pois se trata de carros de bois;
d) não é
validada pelo texto pois na narrativa o menino era o condutor, mesmo que
pequeno de um carro de bois;
e) não é
validada pelo texto pois nesse caso o verdadeiro condutor é o cavalo, que
conhece o trajeto, para sobre as calçadas, desvia de buzinas e sabe onde ficam
as casas dos fregueses.
06)
“Na roça então criança não tinha infância”. Sobre este trecho do texto pode-se
afirmar que:
a) As
crianças na roça, crescem muito rápido, não aproveitando sua infância;
b)
Crianças na roça adquirem maturidade muito rapidamente, devido aos seus
estudos;
c) Morar
com os pais, muitas vezes, nos fazem não aproveitar a infância;
d) Na
roça, devido ao excesso de pessoas adultas, quase não se vê infantis;
e) As
crianças tinham pouca Liberdade obedeciam cegamente os pais e tinham de ajudar
no trabalho.

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