segunda-feira, 4 de agosto de 2025

TAREFA DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA 09/08/25 – VALE 5,0%

Primeiramente, quero que leiam as REGRAS DE TAREFA:

(http://cursopreparatorioparacefetmt.blogspot.com/2022/01/regras-de-tarefa-do-curso-para-novos.html) para realizarem-na de forma correta e não deixar que sejam desclassificadas.

 

Texto 01

 

PARA REPARTIR COM TODOS

Thiago de Mello

 

Com este canto te chamo,
porque dependo de ti.
Quero encontrar um diamante,
sei que ele existe e onde está.

Não me acanho de pedir
ajuda: sei que sozinho
nunca vou poder achar.
Mas desde logo advirto:
para repartir com todos.

Traz a ternura que escondes

machucada no teu peito.


Eu levo um resto de infância
que meu coração guardou.
Vamos precisar de fachos
para as veredas da noite,
que oculta e, às vezes, defende
o diamante.

Vamos juntos.
Traz toda a luz que tiveres,
não te esqueças do arco-íris
que escondeste no porão.
Eu ponho a minha poronga,
de uso na selva, é uma luz
que se aconchega na sombra.

Não vale desanimar,
nem preferir os atalhos
sedutores que nos perdem,
para chegar mais depressa.


Vamos achar o diamante
para repartir com todos.
Mesmo com quem não quis vir
ajudar, pobre de sonho.
Com quem preferiu ficar
sozinho bordando de ouro
o seu umbigo engelhado.

Mesmo com quem se fez cego
ou se encolheu na vergonha
de aparecer procurando.
Com quem foi indiferente
e zombou das nossas mãos
infatigadas na busca.

Mas também com quem tem medo
do diamante e seu poder,
e até com quem desconfia
que ele exista mesmo.

E existe:
o diamante se constrói
quando o procuramos juntos
no meio da nossa vida
e cresce, límpido,cresce,
na intenção de repartir
o que chamamos de amor.

 


(livro Mormaço na Floresta, 1981)

 

01) Classifique as alternativas abaixo em C (correta) ou I (incorreta) de acordo com o texto 02. Depois marque a alternativa que contenha a sequência correta das respostas:

(          ) No poema, o autor se dirige ao leitor.

(          ) O objetivo do autor é convidar todos a ajuda-lo a encontrar um diamante.

(          ) Ele adverte que o diamante deve ser repartido com todos.

(          ) Segundo o poeta a busca é longa, difícil e não há como simplifica-la.

(          ) Na quarta estrofe, fala-se dos que foram convidados para busca e não aceitaram o convite.

 

a) C – I – C – I – C

b) I – C – C – C – C

c) C – C – I – C – I

d) C – C – C – C – I

e) C – C – C – I – I

 

02) Aponte a alternativa correta em relação ao texto 02:

a) O autor classifica os que não aceitaram o convite em: os que não tem sonho ou expectativas; o egoísta; o indiferente; o medroso e o desconfiado;

b) Depois de assegurar que o tal diamante existe, o poeta explica do que se trata: uma pedra preciosa;

c) O “diamante” do texto, já existe dentro do homem, e não se constrói à medida que o procuram;

d) Para o poeta o que vale realmente, não é a procura e sim, encontrar o diamante;

e) todas as alternativas acima estão incorretas.

 

Texto 02

 

VISTA CANSADA

Otto Lara Resende

 

Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

 


Texto publicado no jornal “Folha de S. Paulo”, edição de 23 de fevereiro de 1992.

 

03) Após ler o texto, pode-se afirmar que:

a) O autor do texto compartilha com a opinião de Hemingway sobre a maneira de olhar as coisas.

b) “...não admira que Hemingway tenha acabado como acabou.” Esta frase se refere ao suicídio de Hemingway.

c) Segundo o texto, normalmente, vemos sempre com atenção as coisas que estão à nossa volta.

d) Ainda sobre o texto, somos curiosos em relação às coisas que nos são familiares.

e) nra

 

04) No texto, o autor em determinado momento diz: “A rotina embaça nossa visão, impede que percebemos o que acontece a nossa volta. Isso fica claro no período ...

a) Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta.

b) Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório

c) Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência.

d) Para ser notado, o porteiro teve que morrer.

e) O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem.

 

05) Sobre a afirmação “Um poeta é só isto: um certo modo de ver.”, o autor quis:

a) Expor a fragilidade de ser um poeta nos dias de hoje.

b) A força da poesia, que em tempos de cólera, divulgam esperança e certeza.

c) Dizer que o poeta sempre tem um modo peculiar de ver o mundo e as pessoas à sua volta.

d) Dizer que um poeta consegue captar muita coisa da vida rotineira que passa despercebida para a grande maioria das pessoas.

e) nra