Primeiramente, quero que leiam as REGRAS DE TAREFA:
(http://cursopreparatorioparacefetmt.blogspot.com/2022/01/regras-de-tarefa-do-curso-para-novos.html) para
realizarem-na de forma correta e não deixar que sejam desclassificadas.
Texto 01
PARA
REPARTIR COM TODOS
Thiago
de Mello
Com
este canto te chamo,
porque dependo de ti.
Quero encontrar um diamante,
sei que ele existe e onde está.
Não
me acanho de pedir
ajuda: sei que sozinho
nunca vou poder achar.
Mas desde logo advirto:
para repartir com todos.
Traz a ternura que escondes
machucada no teu peito.
Eu
levo um resto de infância
que meu coração guardou.
Vamos precisar de fachos
para as veredas da noite,
que oculta e, às vezes, defende
o diamante.
Vamos
juntos.
Traz toda a luz que tiveres,
não te esqueças do arco-íris
que escondeste no porão.
Eu ponho a minha poronga,
de uso na selva, é uma luz
que se aconchega na sombra.
Não
vale desanimar,
nem preferir os atalhos
sedutores que nos perdem,
para chegar mais depressa.
Vamos
achar o diamante
para repartir com todos.
Mesmo com quem não quis vir
ajudar, pobre de sonho.
Com quem preferiu ficar
sozinho bordando de ouro
o seu umbigo engelhado.
Mesmo
com quem se fez cego
ou se encolheu na vergonha
de aparecer procurando.
Com quem foi indiferente
e zombou das nossas mãos
infatigadas na busca.
Mas
também com quem tem medo
do diamante e seu poder,
e até com quem desconfia
que ele exista mesmo.
E
existe:
o diamante se constrói
quando o procuramos juntos
no meio da nossa vida
e cresce, límpido,cresce,
na intenção de repartir
o que chamamos de amor.
(livro Mormaço
na Floresta, 1981)
01) Classifique as alternativas
abaixo em C (correta) ou I (incorreta) de acordo com o texto 02. Depois marque
a alternativa que contenha a sequência correta das respostas:
( )
No poema, o autor se dirige ao leitor.
( )
O objetivo do autor é convidar todos a ajuda-lo a encontrar um diamante.
( )
Ele adverte que o diamante deve ser repartido com todos.
( )
Segundo o poeta a busca é longa, difícil e não há como simplifica-la.
( )
Na quarta estrofe, fala-se dos que foram convidados para busca e não aceitaram
o convite.
a) C – I – C – I – C
b) I – C – C – C – C
c) C – C – I – C – I
d) C – C – C – C – I
e) C – C – C – I – I
02) Aponte a alternativa correta em
relação ao texto 02:
a) O autor classifica os que não aceitaram
o convite em: os que não tem sonho ou expectativas; o egoísta; o indiferente; o
medroso e o desconfiado;
b) Depois de assegurar que o tal diamante
existe, o poeta explica do que se trata: uma pedra preciosa;
c) O “diamante” do texto, já existe dentro
do homem, e não se constrói à medida que o procuram;
d) Para o poeta o que vale realmente, não
é a procura e sim, encontrar o diamante;
e) todas as alternativas acima estão
incorretas.
Texto 02
VISTA
CANSADA
Otto
Lara Resende
Acho que foi o
Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela
última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro
escritor quem disse. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de
deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira
que o Hemingway tenha acabado como acabou.
Se eu morrer,
morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo
modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê
não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver.
Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta
curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.
Você sai todo dia,
por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no
seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional
que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava
sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe
passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a
descortesia de falecer.
Como era ele? Sua
cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o
viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar
estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por
sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o
que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.
Uma criança vê o
que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O
poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que
nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe
às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala
no coração o monstro da indiferença.
Texto publicado no
jornal “Folha de S. Paulo”, edição de 23 de fevereiro de 1992.
03) Após ler o texto, pode-se
afirmar que:
a) O autor do texto compartilha com a
opinião de Hemingway sobre a maneira de olhar as coisas.
b) “...não admira que Hemingway tenha
acabado como acabou.” Esta frase se refere ao suicídio de Hemingway.
c) Segundo o texto, normalmente, vemos
sempre com atenção as coisas que estão à nossa volta.
d) Ainda sobre o texto, somos curiosos em
relação às coisas que nos são familiares.
e) nra
04) No texto, o autor em
determinado momento diz: “A rotina embaça nossa visão, impede que percebemos o
que acontece a nossa volta. Isso fica claro no período ...
a) Você sai todo dia, por exemplo, pela
mesma porta.
b) Sei de um profissional que passou 32
anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório
c) Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava
um recado ou uma correspondência.
d) Para ser notado, o porteiro teve que
morrer.
e) O hábito suja os olhos e lhes baixa a
voltagem.
05) Sobre a afirmação “Um poeta é
só isto: um certo modo de ver.”, o autor quis:
a) Expor a fragilidade de ser um poeta nos
dias de hoje.
b) A força da poesia, que em tempos de
cólera, divulgam esperança e certeza.
c) Dizer que o poeta sempre tem um modo
peculiar de ver o mundo e as pessoas à sua volta.
d) Dizer que um poeta consegue captar
muita coisa da vida rotineira que passa despercebida para a grande maioria das
pessoas.
e) nra