segunda-feira, 11 de maio de 2026

TAREFA DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA 16/05/26 – VALE 5,0%

Primeiramente, quero que leiam as REGRAS DE TAREFA:

(http://cursopreparatorioparacefetmt.blogspot.com/2022/01/regras-de-tarefa-do-curso-para-novos.html) para realizarem-na de forma correta e não deixar que sejam desclassificadas.

 

O Lixo

(Luís Fernando Veríssimo)

 

Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.

- Bom dia...

- Bom dia.

- A senhora é do 610.

- E o senhor do 612

- É.

- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...

- Pois é...

- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...

- O meu quê?

- O seu lixo.

- Ah...

- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...

- Na verdade sou só eu.

- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.

- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...

- Entendo.

- A senhora também...

- Me chame de você.

- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...

- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...

- A senhora... Você não tem família?

- Tenho, mas não aqui.

- No Espírito Santo.

- Como é que você sabe?

- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.

- É. Mamãe escreve todas as semanas.

- Ela é professora?

- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?

- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.

- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.

- Pois é...

- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.

- É.

- Más notícias?

- Meu pai. Morreu.

- Sinto muito.

- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.

- Foi por isso que você recomeçou a fumar?

- Como é que você sabe?

- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.

- É verdade. Mas consegui parar outra vez.

- Eu, graças a Deus, nunca fumei.

- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...

- Tranquilizantes. Foi uma fase. Já passou.

- Você brigou com o namorado, certo?

- Isso você também descobriu no lixo?

- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.

- É, chorei bastante, mas já passou.

- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...

- É que eu estou com um pouco de coriza.

- Ah.

- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.

- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.

- Namorada?

- Não.

- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.

- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.

- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.

- Você já está analisando o meu lixo!

- Não posso negar que o seu lixo me interessou.

- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.

- Não! Você viu meus poemas?

- Vi e gostei muito.

- Mas são muito ruins!

- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.

- Se eu soubesse que você ia ler...

- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?

- Acho que não. Lixo é domínio público.

- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?

- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...

- Ontem, no seu lixo...

- O quê?

- Me enganei, ou eram cascas de camarão?

- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.

- Eu adoro camarão.

- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...

- Jantar juntos?

- É.

- Não quero dar trabalho.

- Trabalho nenhum.

- Vai sujar a sua cozinha?

- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.

- No seu lixo ou no meu?

 


VERÍSSIMO, Luís Fernando. O analista de Bagé. RJ: Objetiva. 2002.

 

01) Sobre o texto aponte a alternativa incorreta:

a) No início da conversa, o tratamento entre os dois interlocutores é cerimonioso;

b) Os pronomes de tratamentos que são empregados pelas personagens são "senhor" e "senhora";

c) Quem tenta mudar a situação é a mulher, que pede para o vizinho tratá-la por "você";

d) "- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...", trata-se de um pedido de desculpas sem fundamento por se tratar de uma atitude indiscreta;

e) nra

 

02) O lixo de cada um dos vizinhos funcionou como um conjunto de "pegadas" que orientaram as conclusões do outro. Relacione as pegadas relacionadas a cada conclusão e depois marque a alternativa correta:

 


a) C – D – A – B

b) D – A – C – B

c) C – B – D – A

d) A – C – D – B

e) A – D – B – C  

 

03) Ainda sobre o texto, aponte a alternativa correta:

a) O buquê de flores jogado fora com o cartãozinho indicava o interesse dela pelo presente;

b) Muito lenço de papel indicava que ele havia chorado;

c) O vidrinho de tranquilizantes eram índice de que a moça estava alegre;

d) A partir de uma foto jogada no lixo, a mulher deduziu que o homem ainda gostava da moça retratada, já que não tinha rasgado a foto;

e) No contexto do diálogo, a mulher provavelmente completaria a frase interrompida "- Se eu soubesse que você ia ler..." com "teria rasgado os poemas".

 

04) Qual das falas abaixo possui um duplo significado?

a) - Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.

b) - Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.

c) - Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.

d) - Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.

e) - Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...

 

05) Leia a seguinte estrofe do poema “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias:

 

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

 

De Primeiros cantos (1847)

 

Nos versos acima, do famoso poeta e dramaturgo, podemos afirmar que aparecem pronomes:

a) possessivo e relativo.

b) relativo e indefinido.

c) de tratamento e pessoal.

d) interrogativo e demonstrativo.

e) possessivo e pessoal.