segunda-feira, 29 de junho de 2026

TAREFA DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA 04/07/26 – VALE 5,0%

Primeiramente, quero que leiam as REGRAS DE TAREFA:

(http://cursopreparatorioparacefetmt.blogspot.com/2022/01/regras-de-tarefa-do-curso-para-novos.html) para realizarem-na de forma correta e não deixar que sejam desclassificadas.

 

MOÇA DEITADA NA GRAMA

Carlos Drummond de Andrade

 

A moça estava deitada na grama.

Eu vi e achei lindo. Fiquei repetindo para meu deleite pessoal: “Moça deitada na grama. Deitada na grama. Na grama”. Pois o espetáculo me embevecia. Não é qualquer coisa que me embevece, a esta altura da vida. A moça, o estar deitada na grama, àquela hora da tarde, enquanto os carros passavam e cada ocupante ia ao seu compromisso, à sua alegria ou à sua amargura, a moça e sua posição me embeveceram.

Não tinha nada de exibicionista, era a própria descontração, o encontro do corpo com a tranquilidade, fruída em estado de pureza. Quem quisesse reparar, reparasse; não estava ligando nem desafiando costumes nem nada. Simplesmente deitada na grama, olhos cerrados, mãos na testa, vestido azul, sapatos brancos, pulseira, dois anéis, elegante, composta. De pernas, mostrava o normal. Não era imagem erótica.

Dormia? Não. Pequenos movimentos indicavam que permanecia consciente, mas eram tão pequenos que se percebia seu bem-estar inalterável, sua intenção de continuar assim à sombra dos edifícios, no gramado.

Resolvi parar um pouco, encantado. Queria ver ainda por algum tempo a escultura da moça, plantada no parque como estátua de Henry Moore, uma estátua sem obrigação de ser imóvel. E que arfava docemente. Ah, o arfar da moça, que lhe erguia com leveza o busto, lembrando o sangue de circular nas artérias silenciosas, tão vivo; e tão calmo, como se também ele quisesse descansar na grama, curtir para sempre aquele instante de felicidade.

Eis se aproxima um guarda, inclina-se, toca no ombro da moça. De leve. Ela abre os olhos, sorri bem-disposta:

– Quer deitar também? Aproveita a tarde, tão gostosa.
Ele se mostra embaraçado, fala aos pedaços:

– Não, moça… me desculpe. É o seguinte. A senhora… quer fazer o favor de levantar?

– Levantar por quê? Está tão bom aqui.

– A senhora não pode ficar aí assim não. Levante, estou lhe pedindo.

– Por que hei de levantar? Minha posição é cômoda, eu estou bem aqui. Olhe ali adiante aquele homem, ele também está deitado na grama.

– Aquele homem é diferente, a senhora não percebe?

– Percebo que é homem, e daí? Homem pode, mulher não?

– Bom, poder ninguém pode, é proibido, mas sendo homem, além disso mindingo…

– Ah, compreendo agora. Sendo homem e mindingo, tem direito a deitar no gramado, mas sendo mulher, tendo profissão liberal, pagando imposto de renda, predial, lixo, sindicato, etc., nada feito. É isso que o senhor quer dizer?

– Deus me livre, moça. Quem sou eu para dizer uma coisa dessas? Só que é a primeira vez, e eu tenho dez anos de serviço, que vejo uma dona como a senhora, bem-vestida, bem-apessoada, assim espichada na grama. Com a devida licença, achei que não ficava bem imitar os homens, os mindingos, que a gente tem pena e deixa por aí…

– Faça de conta que eu também sou mindinga – e a moça abriu para ele um sorriso especial.

– Para o bem da senhora, não convém se arriscar desse jeito.

– Eu acho que não estou me arriscando nada, pois tem o senhor aí me garantindo.

– Obrigado. Eu garanto até certo ponto, mas basta a gente virar as costas, vem aí um elemento e furta o seu reloginho, a sua bolsa, as suas coisas.

– Sei me defender, meu santo. Tenho o meu cursinho de caratê.

– Tá certo, mas não deve de facilitar. A senhora se levante, em nome da lei.

– Espere aí. Ou todos se levantam ou eu continuo deitada em nome da lei da igualdade.

– Essa lei eu não conheço, dona. Não posso conhecer todas as leis. Essa que a senhora fala, eu acho que não pegou.

– Mas deve pegar. É preciso que pegue, mais cedo ou mais tarde.

– Não vai levantar?

– Não.

Ele coçou a cabeça. Agarrar a moça era violência, ela ia reagir, juntava povo, criava caso. Afinal, não estava fazendo nada de imoral nem subversivo. Por outro lado, não pegava bem moça deitada na grama – ele devia ter na mente a idéia de moça vestida de gaze, aérea, meio arcanjo, nunca deitável no chão de grama, como qualquer vagabundo fedorento.

– A senhora não devia me fazer uma coisa dessas.

– Fazer o quê?

– Me expor nesta situação.

– Eu não fiz nada, estava numa boa oriental, o senhor chega e…

– É muito difícil lidar com mulheres, elas têm resposta para tudo.

– Vamos fazer uma coisa. O senhor faz que não me viu, vai andando, eu saio daqui a pouco. Só mais dez minutos, para não parecer que estou cedendo a um ato de força.

– Pode ficar o tempo que quiser – decidiu ele. – A senhora falou numa tal lei da igualdade, então vamos cumprir. Só que aquele malandro ali adiante tem de se mandar urgente, eu vou lá dar um susto nele, já gozou demais da lei da igualdade, agora chega!

 


01) A frase “Não é qualquer coisa que me embevece a essa altura da vida” mostra que:

a) O cronista já não era jovem

b) O cronista não tinha medo da morte

c) O cronista teme a morte como qualquer outro ser humano

d) O cronista compadece da situação da moça

e) nra

 

02) Sobre o texto é correto afirmar que:

a) A moça deitada na grama compõem uma cena que transmitia tranquilidade, calma e descontração

b) A chegada de um guarda não perturbou a tranquilidade da Moça

c) O convite que a moça faz ao Guarda para aproveitar a tarde gostosa, a fala dela e sua capacidade de argumentar, deixa o mais seguro de si

d) O sinal de pontuação que revela na resposta do guarda que ele ficou encabulado, é o ponto de exclamação

e) A moça em momento algum se acha no direito de desobedecer ao guarda

 

03) Sobre o texto é incorreto afirmar que

a) Ao dizer que o outro além de ser homem era mendigo, o guarda contra-argumenta a moça

b) Ao comparar a atitude da moça quando mendigo, o guarda leva em conta a diferença de sexo e a situação social de cada um

c) Ao dizer “A senhora se levante em nome da lei.” o contra-argumento utilizado pela moça é, “ou todos se levantam ou eu continuo deitada em nome da lei da igualdade”

d) A moça quis sair um pouco depois do guarda para não parecer que está cedendo a um ato de força

e) nra

 

04) Em qual das alternativas abaixo, o termo “moça” aparece como núcleo do sujeito?

a) ...a moça e sua posição me embeveceram.

b) – Deus me livre, moça.

c) ...e a moça abriu para ele um sorriso especial.

d) Agarrar a moça era violência, ...

e) Por outro lado, não pegava bem moça deitada na grama – ...

 

05) Leia as orações abaixo e assinale a alternativa que identifica corretamente os sujeitos:

I. Meias e sapatos estão em promoção naquela loja.

II. Garoou muito em São Paulo nos últimos dias.

III. Aluga-se esta casa.

a) sujeito composto; sujeito inexistente; sujeito indeterminado

b) sujeito simples; sujeito composto; sujeito oculto

c) sujeito composto; sujeito simples; sujeito indeterminado

d) sujeito indeterminado; sujeito oculto; sujeito simples

e) sujeito oculto; sujeito composto; sujeito simples